Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

"Jornalista é como cupim..."

Desculpem, leitores, o descaso com o Blérgh. Ultimamente acabei direcionando minhas atenções ao No Flash e deixei seu irmão mais velho de lado.

Mas não poderia deixar de publicar aqui minha revolta quanto a decisão do Superior Tribunal Federal que, no dia 17 de junho, derrubou a exigêngia do diploma de jornalista. Para contextualizar, o diploma de jornalismo era obrigatório para exercer a profissão desde a criação de um decreto-lei de 1969, época em que o Brasil era governado pela ditadura militar.
Um dos argumentos mais utilizados, inclusive pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, é que a obrigatoriedade do diploma vai contra a Constituição Federal, que garante a liberdade de expressão e informação. Porém, a que tipo de informação a sociedade terá acesso quando os "jornalistas" responsáveis pela transmissão não possuem uma formação que os qualifiquem para discernir entre jornalismo e entretenimento? Informações de utilidade pública e jornalismo sensacionalista?
Não quero dizer que somente um curso superior é capaz de ensinar tais conceitos e a colocá-los em prática, mas com o diploma sendo obrigatório, havia um nivelamento por cima, além da valorização de uma profissão de extrema relevância para a sociedade. Ser jornalista não é só saber contar história, e em meio a um mercado competitivo, baseado na corrida acirrada por audiência que acaba muitas vezes prejudicando a qualidade da informação repassada ao público, princípios éticos são fundamentais. O jornalismo é responsável pela formação da opinião pública. É a base para que o indivíduo exerça seu papel como cidadão.
Por isso não deixo de pensar sobre do quão conveniente é a queda da exigência do diploma àqueles que estão no poder e se sentem incomodados com a nossa "intromissão".

"Jornalista é como cupim... Quando a gente vê , zaz, já comeu a perna da mesa, expondo o estrago... Então essa raça triste, que são os jornalistas, precisam ser desclassificados, desqualificados, sem lenço, sem documento, sem nariz pra meter onde não devem..."

Maria Helena Malfatti


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Dia 24 de julho aconteceu mais uma manifestação no centro de Porto Alegre a favor da obrigatoriedade do diploma. Eu estive lá e fotografei. A caminhada teve início na Esquina Democrática, passando pelo Palácio da Justiça até a Assembleia Legislativa.
Confira as imagens exclusivas do Blérgh:













Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Santiago, Só


IMPORTANTE:
O texto a seguir é a reprodução de uma matéria fictícia baseada no livro do autor Ernest Hemingway, O Velho e o Mar. Foi escrito segundo trabalho proposto pela cadeira de Redação Jornalística, da Faculdade de Jornalismo da PUCRS. A cidade e província citadas no texto são reais, mas não fazem parte do livro de Hemingway, que foi utilizado apenas como base para a criação de outro enredo, sem compromisso ou fidelidade para com o original O Velho e O Mar.

Por Nicole Pandolfo

O sol já beirava o horizonte da cidade costeira de Cárdenas quando encontrei sentado em frente à casa simples de madeira acinzentada, na beira do mar, o Sr. González. Aos 69 anos, o homem de estatura média, cabelos curtos e grisalhos, mas de corpo rijo, resultado de muitos anos de pescaria, costuma passar os finais de tarde confortavelmente acomodado na cadeira de palha. É da varanda da sua velha casa que Manolin González mantém o olhar absorto direcionado ao mar à sua frente, na hora em que eu me aproximava com cautela, enquanto conferia o endereço que haviam me repassado. Ao reparar meu movimento em direção a ele, Sr. González pareceu sair de um transe e imediatamente caminhou a passos firmes em minha direção com um sorriso cansado. Estava a minha espera.
À beira dos 70 anos, Manolin, como prefere ser chamado, revelou o espírito confiante e jovial enquanto me recepcionava. Com uma segurança de quem sabe o que está fazendo, sugeriu que nossa conversa acontecesse ali mesmo, na varanda, sob a luz avermelhada do pôr-do-sol, onde ainda soprava uma brisa fraca, mas suficiente para amenizar o calor de 35 graus. Ele sabia por que eu estava ali, e sentia-se orgulhoso por ser um dos únicos pescadores que conheceu e conviveu com o velho Santiago.


Há anos contada de pai para filho entre os moradores de Cárdenas, a história do velho Santiago ganhou ares fabulosos e status de lenda, conforme as versões se espalhavam além das fronteiras de Matanzas, província natal de Manolin. Mas ele garante a sua versão: cresceu ao lado do velho pescador.
Recostado na cadeira, com o olhar de volta para o mar, Manolin Gonzáles retorna aos seus 12 anos. Era 1952 e Cárdenas ainda era um vilarejo de pescadores onde o pequeno Manolín recebera suas primeiras lições de pesca. E seu principal mestre era o solitário e experiente Santiago. De corpo magro, porém firme, a pele manchada e enrugada, sofrida pela ação de anos exposta ao sol caribenho, o humilde pescador enfrentava tempos de dificuldade. Os peixes pareciam evitar suas iscas. Conta Manolin que, todas as manhãs, logo que o sol apontava seus primeiros raios, visitava o velho com algum pão e café que conseguia filar na venda do vilarejo. “Garantia o café da manhã quando explicava que era para Santiago. Os moradores mantinham um respeito para com o velho”. O jovem sabia que aquela poderia ser a última refeição do ancião durante longas horas em que passaria à espera de um presente significativo trazido pelo mar.
Mas naquele ano, o mar parecia punir Santiago. Há meses sem apanhar um só peixe, na comunidade local começavam correr os boatos: Santiago era um salao, um azarento da pior espécie. E por essa crença, Manolin foi impedido pelos pais de acompanhar o velho nas suas pescarias. “Eu nunca acreditei naquelas crendices. Gostava do velho, aprendia com ele e sabia que poderia ajudá-lo a pegar algum peixe. Mas ainda era uma criança, tinha que obedecer a meus pais.”
Com um ar de contador de histórias, Manolin Gonzáles trocou de posição na cadeira. Inclinando-se para frente, dava a entender que um novo e importante capítulo da história estava para começar.
Santiago nunca perdia a fé. E todas as manhãs, ao sair para o mar, depositava sua fé nos seus “irmãos peixes”, mais do que nos homens. Manolin relata com orgulho o respeito com que seu velho mestre tratava a pesca: “Ele considerava os animais marinhos seres nobres! Conversava com os peixes. Mas mesmo assim precisava matá-los”.
Então, em uma manhã, Santiago se preparou para mais um dia de pesca. Manolín conta ressentido que não pôde fazer companhia ao velho e isso, até hoje, lhe causa remorso. O sentimento não é infundado. Nas próximas horas, Santiago iria travar a batalha que repercutiria por décadas no imaginário da população pesqueira de Cárdenas e, cuja verdadeira versão, segundo Manolin, “só foi confidenciada a mim”.
Visivelmente sonolento desde que o sol havia se posto, Manolin González começava a encurtar as respostas às perguntas que eu lhe direcionava, e os detalhes dos relatos eram cada vez mais vagos.
Certo foi que o velho e seu barco não foram avistados por três dias. Santiago e a rústica embarcação, desprovida de qualquer nova tecnologia pesqueira, foram considerados perdidos. “Eu fiquei muito apreensivo”, relatou Manolin. “Confiava na capacidade do meu velho e no fundo sabia que ele estava bem, mas todos perderam as esperanças. Eu não. Ele havia me dito naquela manhã que traria um peixe, que seu tempo de salao tinha terminado. Eu acreditei.” Talvez o mar tenha compreendido as preces que Santiago lhe dirigiu. O velho deveras fisgou um peixe. Um espadarte de tamanho descomunal, responsável por ter reavivado o jovem Santiago. Mas não passaria muitas horas para que o presente do mar fosse tomado de volta. A juventude do velho foi sugada pelos tubarões que cercaram o barco e devoraram o espadarte. “Ninguém nunca vai poder imaginar a força que o velho Santiago empregou contra aqueles tiburones”. O pesar na voz de Manolin quando pronunciou estas palavras era notável.
Conta Manolin que o velho nunca mais alimentou sua relação com o mar. “O azul da água não refletia mais nos olhos de Santiago como antes. Eles ficaram opacos”. Mas o jovem manteve o companheirismo fiel ao velho. Durante os cinco anos que restaram ao desiludido pescador, Manolin foi seu pupilo e seu neto. Cinquenta e sete anos depois de Santiago perder a fé no mar, o hoje velho Manolin preserva a memória do homem que, segundo ele, mais soube entender respeitar o que o oceano representa ao ser humano.
Não fosse o fato de dezenas de moradores do vilarejo terem presenciado a chegada de Santiago junto da carcaça do que restara do gigantesco espadarte, a história seria julgada como de pescador. Manolin González respira fundo e levanta da cadeira. A história do velho e o mar havia terminado.

Sábado, 23 de Maio de 2009

Novo blog de fotografias --> NO FLASH

A falta de atualizações do Blérgh tem uma desculpa!
Há alguns dias planejava a criação de um novo blog de fotografias. Um blog onde eu publicaria fotos tiradas por mim agora que me encantei por essa atividade.
Pois ele está pronto! O NO FLASH, no ar a partir de hoje, vai receber postagens com fotos, comentários, propriedades da imagem e mais!
Agora, além do Blérgh, sempre ativo, você também pode conferir o NO FLASH! O link para o blog estará aí ao lado da página (-->).

Confira!

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Do alto dos trilhos: A grandeza dos viadutos 13 e Mula Preta no interior do RS

Há poucos dias atrás eu conversava com um amigo a respeito da imensidão do Brasil. Sobre a quantidade de lugares pra se conhecer aqui e a diversidade de culturas que fazem esse gigantesco país parecer uma união de vários pequenos outros. Contando a ele sobre a minha vontade de viajar e conhecer o mundo, admiti um certo constrangimento da minha parte quanto a curiosidade que tenho por outros países, sendo que conheço apenas uma ínfima parte do meu.
Não é que eu não queira conhecer o Brasil. Pelo contrário! Idealizo que todo o brasileiro deveria conhecer ao menos 50% do seu país antes de explorar o exterior, mas não acredito que eu mesma vá colocar esta teoria em prática. Desde pequena alimento uma curiosidade enorme sobre as terras além-mar.
Acontece que eu praticamente não conheço o meu país. Nasci no Sul e nunca saí daqui. A quantidade de lugares que conheço não condiz com a minha vontade de viajar! E, desde a conversa com esse amigo, venho me convencendo de que é hora de prestar mais atenção às oportunidades e também, por que não, criá-las e sair por aí descobrindo novos lugares (novos pra mim, claro).
Na última sexta-feira santa, dia 10 de abril, tive a chance de visitar dois lugares fantásticos da serra gaúcha. E eles sempre estiveram lá, pertinho de Guaporé, minha cidade natal onde morei durante 15 anos.
O Viaduto 13 e o Mula Preta são viadutos ferroviários que fazem parte da Ferrovia do Trigo. Eles estão localizados no trecho entre os municípios de Vespasiano Correa e Muçum, interior do Rio Grande do Sul.
Em um grupo de amigos, fizemos os 37km - aproximadamente - que ligam Guaporé ao Viaduto 13, de moto, o que aumentou ainda mais a adrenalina do passeio.




Antes de conhecê-lo de perto, uma pausa pra fotografar o Viaduto 13 de longe.


O Viaduto do Exército, vulgo Viaduto 13, foi construído pelo 1º Batalhão Ferroviário e inaugurado no dia 19 de agosto de 1978


Do alto dos seus 143 metros (o mais alto das américas e 2º mais alto do mundo) avista-se o Rio Guaporé que percorre a região.

O nome "Viaduto 13" deve-se ao fato de ele ser o 13º de uma sequência de viadutos que se inicia no centro da cidade de Muçum.

Uma parte essencial do passeio é o túnel. Mas não esqueça de levar uma lanterna: antes de chegar nas janelas, a escuridão é total.


Na volta, resolvemos conhecer outro trecho da Ferrovia do Trigo. Agora estávamos indo em direção ao Mula Preta, com 98 metros de altura. Menor que o Viaduto 13, mas não menos impressionante. Está localizado na divisa entre Dois Lajeados e Guaporé.


Apesar de ser 45 metros mais baixo que o Viaduto 13, o "frio na barriga" provocado pela altura é maior no Mula Preta que não possui proteção lateral.

A visita ao Mula Preta é muito mais arriscada. Caminhar por lá se torna perigoso, pois o "chão" sob os trilhos é vazado e o espaço entre uma madeira e outra é suficiente para que uma perna o atravesse num momento de descuido.

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Dia 1º de abril: Julgamento de recurso contra o diploma entra na pauta do STF


Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Garota do tempo volta com a nova programação da RadioFam

Fazer o que tu gostas sem dúvida é requisito básico para o completo aproveitamento dos recursos que a faculdade te oferece. Eu GOSTO de estudar jornalismo e é por isso que não vejo melhor lugar para minha formação do que a Famecos.
Pensei nisso enquanto bolava este texto sobre a volta da "garota do tempo" da RadioFam, a rádio da Famecos na internet. Pois fiquem sabendo, caros seguidores do Blérgh, que esta que vos escreve é a garota do tempo!
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A RadioFam é um dos recursos que a Faculdade de Comunicação Social da PUCRS oferece a nós, alunos de jornalismo. No estúdio da rádio, eu, como vários alunos que já passaram por lá, tive o primeiro contato com o funcionamento de uma rádio. E foi lá, inclusive, que, no segundo semestre do meu curso (2008/1), fiz parte da equipe que apresentava o programa Tarde na Famecos, das 14h às 17h, de segunda à sexta, transmitindo notícias do dia, entrevistas, música e debates. Mas era nas sextas-feiras que a "Previsão do Tempo" ia ao ar - uma parceria minha com a Aline Costa, responsável pela edição da sonora, onde era acrescentada a música e a chamada hilária: "Previsããooo do Tempo!" (leia-se com aquela voz fininha!)

Mas aquele semestre passou, o Tarde na Famecos não voltou a ser apresentado, tampouco a previsão do tempo. Eis que, há poucos dias, nas primeiras semanas do primeiro semestre de 2009, já na metade do curso, recebo o convite para que a previsão do tempo volte a ser apresentada! Não mais no extinto Tarde na Famecos, mas na mais nova atração da RadioFam, o programa SOTAQUES, que irá ao ar a partir de terça-feira (24/03) no horário do almoço (confirmo a hora certa em breve). SOTAQUES trará as principais notícias do dia da região de cada apresentador, afinal, como o nome sugere, o programa é apresentado por alunos de diferentes regiões (não só do Brasil, como do mundo), entrevistas, agenda cultural e a previsão do tempo para a semana!
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A dica do Blérgh foi dada! Confiram o programa SOTAQUES na próxima terça-feira através do site da RadioFam e apreciem as diversidades do mundo acadêmico!
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*Em breve, mais informações sobre o novo programa semanal Sotaques...
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**...e confiram também, aqui no Blérgh, semana que vem, a primeira previsão do tempo de 2009 para a RadioFam!

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

O Blérgh não morreu!

Antes que pensem que o Blérgh foi abandonado às moscas, aqui estou por consideração aos meus 3,5 leitores!
O Blérgh continua vivo, sim!! Foi apenas o ano que resolveu começar e aí vem todo aquele processo de organização que afeta, se não a todos, ao menos a mim.
A corrida na faculdade acaba de engatar a 1a e eu confesso ter inúmeros planos para esse semestre que exigirão boa parte do meu tempo disponível! Mas o Blérgh continuará recebendo conteúdo, sempre experimentando!

A todos, um bom início de semana!